quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Copom reduz a taxa Selic para 13,00% ao ano

"O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., sem viés.
A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:
O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente;
No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto.  Entretanto, até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados;
A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico;
A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016;
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 4,8% para 2017, e mantiveram-se ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes;
As projeções condicionais do Copom também recuaram em relação às divulgadas no Relatório de Inflação passado, que foram baseadas no conjunto de informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016. Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram influenciados por dados de inflação e atividade econômica divulgados desde então. As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente; e
Os passos no processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.
O Comitê ressalta os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:
Por um lado, (i) o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação; (ii) o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária requer atenção contínua; (iii) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;
Por outro lado, (iv) a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade na economia podem produzir desinflação mais rápida que a refletida nas projeções do Copom; (v) a inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e (vi) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia pode ocorrer de forma mais célere que o antecipado.
Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.
O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião. Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel."
Será que o Ilan amarelou? O mercado já estava prevendo uma possibilidade dessa redução de 0,75 p.p., mas para um Copom tão austero e independente, que reduziu 0,25 p.p. na última reunião pular para 0,75 p.p., sei lá... não que eu seja contra ao corte de 0,75 p.p.
Fica claro no comunicado a preocupação com a atividade econômica, o que é louvável, mas o papel do Copom é controlar a inflação. Tudo bem, foi citado que a inflação veio menor que o esperado e está ancorada em níveis satisfatórios para os próximos dois anos e horizontes mais distantes. Mas o risco externo e interno (aprovação efetiva das reformas) ainda persistem e, acredito que o mercado agora vá precificar uma redução mais intensa da taxa Selic, indo para 10% no final de 2017, ou quem sabe até abaixo disso.
Fazendo um contraponto, talvez tenha sido uma bela tacada de mestre. Com a atividade fraca, e o ambiente ameno, acredito que o Copom tenha reduzido ao máximo possível a taxa de juro, e vai pagar para ver o que ocorre até fevereiro (e depois até abril). Se o ambiente continuar favorável, podemos ter um novo corte forte. Acredito que o mercado não vai aceitar menos que 0,50 p.p. e deve esperar novo corte de 0,75 p.p.
Porque isso seria uma tacada de mestre? Trump, a grande incógnita externa, assume no próximo dia 20 e, durante os primeiros 100 dias de governo, pode haver volatilidade, mas será o tempo que o mercado vai avaliar a realidade do novo governo antes de se posicionar realmente. Caso os ventos soprem a favor (dólar e inflação), continuaremos com o afrouxamento monetário, caso contrário, se a inflação voltar a subir, a festa pode acabar. Entretanto, se a taxa Selic ainda estiver alta, como aumentá-la? Agora, se ela estiver mais baixa, mesmo que gerando um pouco de inflação além do previsto, pode-se reduzir ou até interromper o ciclo de queda afetando menos a economia. Sendo assim, acredito que o Copom vai reduzir o máximo possível nas próximas duas reuniões (fevereiro e abril) e ajustar, se necessário, a partir de maio.
Não sei se você concorda ou discorda, mas não se abstenha. Deixe seu comentário para discutirmos o assunto, assim, todos ganham...

10 comentários:

  1. Acho que foi agressivo demais. Pode ter sido um tiro no pé. Amanhã saberemos se o mercado apoia a decisão.

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    1. Pois é Uó! Eu esperava 0,50 p.p. de corte, até pensei no quão independente estaria o Bacen. Como você comentou, amanhã o mercado vai se pronunciar. A princípio DIs caem e bolsa sobe... será?

      Abraço!

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    2. Pelo que acompanhei o mercado é que deu uma pressao pra baixar em 0.75pp (vide financas inteligentes - blog)
      Tbm achei agressivo.
      Abraco

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    3. Buenas, IM! A impressão ficou essa mesmo, mas pelo menos o time de hoje tem bem mais confiabilidade que a turma do Margarina, Barbosa e etc. Acho que as próximas duas reuniões vêm na mesma toada.

      Abraço!

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  2. Achei mais do que certo. A inflação de 2015/2016 foi relacionada a preços administrados e a variação cambial. Não há taxa de juros que haja sobre isso (visto que não houve fuga de capitais). Os juros no nível que estava era um tiro no pé. Além de aprofundar a crise econômica via consumo e investimentos, aprofundava tb a crise fiscal via juros da dívida pública. Já estava na hora do BC agir de forma mais contundente. Demorou demais para baixar os juros agora vai ter que acelerar o ritmo.

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    1. Buenas, IR! Concordo que demorou demais e o juro precisava cair com mais rapidez, porém, será que não poderia ter havido dois cortes de 0,50 p.p. (o anterior e esse)? Esse pulo de 0,25 para 0,75 pode trazer dúvidas sobre a independência do Bacen.
      De qualquer forma, pelo menos não foi um corte populista como tempos atrás...
      Abraço e sucesso!

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  3. IV,

    Eu achei excelente .... vamos ver onde vão os fiis e os TDs mais longos ....

    Abs,

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    1. Buenas, Oshiro! Eu esperava uma alta mais forte nos FIIs. Os TDs vieram em linha com o esperado. Vamos acompanhando...

      Abraço

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  4. Opa!

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